RELATÓRIO E CONTAS 2016

Demonstrações financeiras

01 Análise Financeira dos Negócios

Em 2016, o resultado líquido atribuído a accionistas da EDP alcançou os 961 milhões de euros, o que compara com 913 milhões de euros no período homólogo. O resultado líquido aumentou 5%, impactado por melhor desempenho da actividade na Península Ibérica, enquanto que o ano de 2015 havia sido impactado por efeitos ao nível da EDP Brasil e da EDP Renováveis, levando a que parte dos resultados ficasse ao nível dos interesses não controláveis da EDP.

Demonstração dos Resultados – Grupo EDP

Milhões de Euros 2016 2015 ∆ % ∆ Abs.
Margem Bruta 5.738 5.455 5% 283
Custos Operacionais 1.608 1.574 2% 35
Outros custos/(proveitos) 370 -43 - 413
Resultado Operacional Bruto 3.759 3.924 -4% -165
Resultado Operacional 2.264 2.443 -7% -179
Resultado Líquido do Período 1.200 1.247 -4% -47
Accionistas da EDP 961 913 5% 48
Interesses não controláveis 239 334 -28% -95

Em 2016, o resultado operacional bruto do grupo EDP ascendeu a 3.759 milhões de euros (-4% em termos homólogos), reflexo do contributo dos seguintes efeitos: i) +61 milhões de euros em 2016, em resultado da alienação das centrais mini-hídricas da Pantanal no Brasil; ii) +441 milhões de euros em 2015: decorrente da compra a baixo preço à Eneva de 50% de Pecém I, no Brasil (+295 milhões de euros); justo valor obtido na revalorização da participação anteriormente detida pela ENEOP (+125 milhões de euros) e do registo de write-offs de custos capitalizados com projectos em desenvolvimento e activos (-68 milhões de euros) ao nível da EDP Renováveis; e da venda de activos de gás em Espanha (+89 milhões de euros). Excluindo estes efeitos, o resultado operacional bruto aumentou 6%, para 3.698 milhões de euros em 2016, impulsionado pela expansão do portefólio (capacidade instalada e número de clientes na Península Ibérica), por uma melhoria na eficiência e por condições atmosféricas mais favoráveis na Península Ibérica e Brasil, particularmente no 1º semestre de 2016.

No mercado Ibérico, o resultado operacional bruto foi suportado por nova capacidade em operação, fortes recursos hídricos e volatilidade de preços (particularmente quando comparado com o contexto adverso verificado em 2015) e das alterações regulatórias benéficas na distribuição de electricidade em Espanha. O resultado operacional bruto da EDP Renováveis cresceu 3% em termos homólogos, suportado pela expansão de capacidade instalada (+11% em média), parcialmente compensado por um menor preço médio de venda. O contributo da EDP Brasil para o resultado operacional bruto recuou 31% em 2016, suportado pelo impacto cambial desfavorável (-4%), custos associados a uma menor procura e à sobrecontratação na distribuição, para além dos efeitos acima mencionados.

Resultado Operacional Bruto

Milhões de Euros 2016 2015 ∆ % ∆ Abs.
Produção Contratada Longo Prazo na Peninsula Ibérica 529 583 -9% -54
Actividades Liberalizadas na Peninsula Ibérica 536 364 47% 172
Redes Reguladas na Peninsula Ibérica 990 1.031 -4% -41
EDP Renováveis 1.171 1.142 3% 29
EDP Brasil 593 857 -31% -264
Outros -60 -53 -13% -7
Grupo EDP 3.759 3.924 -4% -165

Os custos operacionais subiram 2% face a 2015, para 1.608 milhões de euros em 2016, aquém da expansão de portefólio. Nas diferentes áreas de negócio, destaque-se: (i) os custos estáveis na Península Ibérica apesar da expansão de portefólio (clientes e capacidade instalada), reflexo de um apertado controlo de custos e de uma redução do número médio de colaboradores (-1%, em termos médios); (ii) na EDP Renováveis, os custos operacionais subiram ainda que numa proporção inferior à do acréscimo de capacidade instalada, melhorando assim o rácio Core OPEX/MW médio instalado; (iii) no Brasil, a evolução de custos traduziu a depreciação do Real face ao Euro e a consolidação integral de Pecém desde Maio de 2015; ajustado destes efeitos, o OPEX no Brasil cresceu 4%, aquém da inflação.

Os outros custos/(proveitos) operacionais passaram de uma receita de 43 milhões de euros em 2015 para um custo de 370 milhões de euros em 2016, influenciados sobretudo por um impacto inferior dos eventos acima mencionados. O Resultado Operacional recuou 7% para 2.264 milhões de euros em 2016, traduzindo a evolução do resultado operacional bruto e o acréscimo de amortizações decorrente do aumento de capacidade.

Os resultados financeiros líquidos e resultados com joint-ventures e associadas ascenderam a -914 milhões de euros em 2016, 57 milhões de euros abaixo de 2015, essencialmente em resultado de: i) cancelamento antecipado e optimização de determinados “project finance” e recompra de obrigações com taxas de juros mais elevadas do que as praticadas atualmente no mercado (-76 milhões de euros), que se traduzirá em poupanças de juros no futuro; ii) redução de proveitos financeiros relativos a juros do desvio e défice tarifário e operações de venda parcial do ajustamento tarifário em Portugal; e (iii) redução de encargos capitalizados (-26 milhões de euros face a 2015) na sequência da entrada em exploração de ativos de geração. Importa salientar que os juros líquidos suportados diminuíram, beneficiado de uma redução de 30 pontos base no custo financeiro médio da dívida1 (de 4,7% em 2015 para 4,4% em 2016) e da menor dívida líquida média no período, com efeito na redução dos custos financeiros com juros de empréstimos.

Os impactos acima referidos ao nível de resultados financeiros foram largamente compensados por poupanças fiscais. Assim, o imposto sobre o rendimento ascendeu a 89 milhões de euros em 2016 (-189 milhões de euros vs. 2015), impactado pela reavaliação fiscal de alguns activos.

Os resultados atribuíveis a interesses não controláveis reduziram 95 milhões de euros em termos homólogos, para 239 milhões de euros em 2016, reflexo da redução dos resultados obtidos na EDP Brasil e do aumento dos resultados nas atividades liberalizadas na Península Ibérica. Em 2015, os resultados foram impulsionados pelo ganho com a aquisição de Pecém ao nível da EDP Brasil imputável aos accionistas minoritários, pelo ganho de capital registado na venda dos activos de gás ao nível da participação minoritária de 5% da Naturgas e pelo aumento do resultado líquido da EDP Brasil e na EDP Renováveis.

Investimento Operacional 2

Milhões de Euros 2016 2015 ∆ % ∆ Abs.
Produção Contratada Longo Prazo na Peninsula Ibérica 44 28 57% 16
Actividades Liberalizadas na Peninsula Ibérica 334 388 -14% -54
Redes Reguladas na Peninsula Ibérica 462 376 23% 86
EDP Renováveis 1.026 901 14% 125
EDP Brasil 169 114 48% 55
Outros 45 -20 - 65
Sub-Total 2.080 1.788 16% 292
Aquisição activos gás em Espanha (Repsol) -116 0 - -116
Grupo EDP 1.964 1.788 10% 175

O investimento operacional consolidado ascendeu a 1.964 milhões de euros em 2016, em grande parte (~65%) dedicado a projectos de expansão, nomeadamente em nova capacidade hídrica e eólica (1,2 mil milhões de euros) assim como a instalação de DeNOx em duas centrais de carvão em Espanha (com extensão da respectiva vida útil), excluindo-se para este efeito o impacto da aquisição à Repsol de alguns activos de distribuição de gás em Espanha (116 milhões de euros). O investimento operacional de manutenção atingiu 697 milhões de euros em 2016, maioritariamente dedicado às redes reguladas na Península Ibérica e no Brasil. De notar que o investimento operacional de manutenção inclui vários trabalhos pluri-anuais realizados nas centrais hídricas, CCGT e a carvão na Península Ibérica, ao longo do ano. O investimento em expansão dedicado a nova capacidade hídrica em Portugal totalizou 193 milhões de euros, no seguimento da instalação de nova capacidade hídrica. Durante 2016, entraram em operação 2 centrais: Salamonde II (223MW) e Baixo Sabor (+151MW com o comissionamento integral da central). A Dezembro de 2016, a EDP tinha 2 centrais hídricas com bombagem em construção: a central Venda Nova III (756MW, com arranque previsto no 1º trimestre de 2017) e a albufeira Foz-Tua (263MW, com comissionamento previsto no Verão de 2017). O investimento em nova capacidade eólica (EDP Renováveis) atingiu 1.026 milhões de euros em 2016 (dos quais cerca de 80% na América do Norte). As adições de capacidade eólica atingiram 820MW em 2016 (em termos líquidos a capacidade aumentou 770MW, fruto da desconsolidação de 50MW ao nível da operação na Polónia), dos quais 629MW na América do Norte, 120MW no Brasil e 71MW na Europa. A capacidade eólica em construção alcançou os 248MW em Dezembro de 2016 (51% no Brasil, 40% nos EUA e 9% na Europa).

1 Considera (Custos Financeiros de Juros de Empréstimos +/- Custos e Proveitos de Juros de Instrumentos Financeiros Derivados) / Dívida Financeira média do período (Total de empréstimos - Juros a Pagar - Justo valor do risco coberto da dívida emitida), considerando 50% dos custos financeiros e da dívida relativa ao híbrido.

2 Considera as adições em activos não correntes, excepto instrumentos financeiros, activos por impostos diferidos e activos por benefícios pós-emprego. Desta forma, em cada segmento, o Investimento Operacional inclui as adições do ano de Activos Fixos Tangíveis e Intangíveis, excluindo Licenças de CO2 e Certificados Verdes, líquido das adições do ano de Subsídios ao Investimento em Imobilizado, das Comparticipações de clientes e das Alienações de imóveis no próprio exercício.

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