RELATÓRIO E CONTAS 2016

Gestores

01 Presidente do Conselho de Administração Executivo

Mensagem de António Mexia

Senhor(a) Accionista,

Num contexto macroeconómico e de mercado desafiante, a EDP foi capaz de entregar os resultados relativos ao exercício de 2016 com os quais se tinha comprometido, marcados por uma boa performance operacional e pela capacidade de investir mantendo a disciplina financeira, com a redução do nível de endividamento e dos custos financeiros.

Um contexto de mercado turbulento e um sector em mudança.

O ano de 2016 foi um ano turbulento para os mercados financeiros e para o nosso sector devido, principalmente, à queda dos preços do barril de petróleo para mínimos históricos no início do ano, ao deslize das taxas de juros a nível global e aos receios em torno do crescimento da economia mundial. Os resultados eleitorais inesperados no Reino Unido (vitória do Brexit) e nos Estados Unidos (vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais) surpreenderam os mercados, reforçando assim o sentimento de incerteza e volatilidade. Nesta conjuntura e apesar de uma tendência positiva no último trimestre do ano devido a uma recuperação dos preços das commodities, o sector europeu das Utilities registou uma queda de 3% face a 2015, na sequência da expectativa de um aumento das yields.

Neste contexto, a evolução da cotação da EDP acrescida do pagamento anual de dividendos (0,185 euros por acção pagos em Maio de 2016) resultou numa rentabilidade para os accionistas da EDP de -7% em 2016, acima da evolução do índice PSI20 mas abaixo do índice de referência do sector europeu das Utilities, essencialmente devido aos receios quanto ao crescimento da economia e as incertezas no sector em Portugal.

Ao nível de política energética a EDP contribuiu, uma vez mais, de forma activa para o debate Europeu. O ano de 2016 ficou especialmente marcado pela publicação, por parte da Comissão Europeia, do pacote “Energia limpa para todos os Europeus”, um avanço positivo na definição do caminho para o cumprimento dos objectivos europeus a atingir até 2030 em termos de redução de emissões, de penetração de energia renovável e de eficiência energética.

É também de referir que as instituições europeias reiteraram, recentemente, o seu compromisso de reforço do mercado europeu de emissões (ETS), num debate que se espera ver concluído até ao final 2017. Estes passos são globalmente positivos uma vez que reconhecem a importância da integração das Renováveis no mercado, embora continue por clarificar os mecanismos de investimento necessários para alcançar os objectivos Europeus. De referir também que a EDP continua empenhada em contribuir para o objectivo da descarbonização da economia Europeia defendendo a adopção da electrificação como solução central para este desafio.

Capacidade de compromisso e de entrega de resultados.

Em Maio deste ano, a EDP apresentou ao mercado o seu Plano de Negócios para o período de 2016-2020, no qual o Conselho de Administração Executivo definiu cinco prioridades estratégicas com objectivos claros para os próximos quatro anos:

1. Crescimento orientado: aumento do EBITDA em cerca de 3% ao ano até 2020 com um investimento líquido médio de 1,4 mil milhões de euros/ano no período de 2016-2020, dos quais 84% centrados em actividades reguladas ou com contratos de longo-prazo;

2. Continuação da desalavancagem financeira: atingir em 2020 um rácio de Dívida Líquida/EBITDA de 3,0x;

3. Manutenção de um perfil de baixo risco: peso das actividades reguladas em torno dos 75% do EBITDA total em 2020;

4. Reforço da eficiência: atingir um valor acumulado de poupanças de OPEX de 700 milhões de euros no período 2016-2020;

5. Retorno atractivo para os accionistas: aumento do resultado líquido em cerca de 4% até 2020 e aumento de 3% no dividendo mínimo por acção a partir de 2016.

No primeiro ano do Plano de Negócios e não obstante os referidos desafios ao nível do contexto de mercado, a EDP foi capaz de alcançar resultados positivos demonstrando, uma vez mais, a capacidade de execução das suas prioridades estratégicas e de alcançar as metas a que nos propomos.

Relativamente a actividade da EDP, 2016 foi um ano positivo em termos operacionais, reflectindo assim a estratégia de investimento em energias renováveis, com um aumento da capacidade média instalada em 6%, repartidos por energia eólica (sobretudo nos EUA, Brasil e México) e hídrica (em Portugal e no Brasil), os bons resultados obtidos na gestão da energia, beneficiando de uma produção hídrica acima da média histórica e a contínua melhoria da eficiência da empresa.

A EDP atingiu assim, em 2016, um resultado líquido de 961 milhões de euros (um aumento de 5% face a 2015). Este resultado foi essencialmente suportado pelo bom desempenho do EBITDA (3,8 mil milhões de euros) devido a uma boa performance operacional e à redução dos custos financeiros com os juros de dívida a descerem 14%.

Na Península Ibérica, o EBITDA obtido foi de 1.989 milhões de euros (+64 milhões de euros face a 2015) suportado, em grande parte, por uma nova capacidade de operação, fortes recursos hídricos e uma maior volatilidade de preços que conduziram a um aumento dos resultados com a gestão de energia. Em Portugal, na área das redes de distribuição de electricidade, a EDP Distribuição manteve a sua trajectória de excelência, tendo tido o melhor desempenho de sempre em termos de fiabilidade da rede (52 minutos de tempo de interrupção equivalente) e a continuação da trajectória de redução das perdas de energia na rede (de 9,8% em 2015 para 9,5% em 2016). Em termos de prioridades futuras, a EDP Distribuição continua focada na implementação da sua estratégia de Redes Inteligentes, tendo instalado 450 mil contadores inteligentes em 2016. Na área da comercialização em Portugal, a EDP Comercial consolidou a posição de liderança no mercado liberalizado, atingindo uma carteira de 4 milhões de clientes de electricidade (cerca de 85% de quota de mercado) e cerca de 600 mil clientes de gás natural (cerca de 50% de quota de mercado). A contínua aposta na qualidade do serviço prestado permitiu reduzir em 43%, face a 2015, o número de reclamações por cliente e melhorar, mais uma vez, o Net Promoter Score que subiu cerca de 30 pontos percentuais desde 2013. A EDP Comercial continua também a desenvolver propostas de serviços inovadores, reforçando a presença do Grupo na área dos serviços de energia e da eficiência energética. Hoje, na Península Ibérica, o serviço Funciona já beneficia mais de 700 mil clientes e a Factura Segura mais de 300 mil clientes. A EDP Comercial tem também vindo a apostar na dinamização do conceito Casa Inteligente que associa a produção de energia solar, a mobilidade eléctrica, o armazenamento da electricidade e um sistema de gestão da energia que permite monitorizar, de forma remota e conveniente, a produção e o consumo bem como o controlo e a programação dos equipamentos domésticos.

Em Espanha, o EBITDA recorrente sobe 17% para 500 milhões de euros. Na área de redes, o ano ficou especialmente marcado pela revisão positiva dos novos termos regulatórios na distribuição de electricidade que representam um incremento anual de 55 milhões de euros no resultado operacional, em comparação com o antigo modelo regulatório. E também de destacar que, actualmente, 75% dos contadores são inteligentes tendo a empresa como objectivo atingir o valor de 100% até 2020. Na área comercial, apesar da intensidade competitiva deste mercado, o ano de 2016 foi claramente positivo com a EDP Comercializadora a posicionar-se como a empresa de energia com maior crescimento anual na electricidade, tendo atingido uma carteira de 840 mil clientes no mercado livre. No gás, atingiu-se uma carteira de 800 mil clientes em resultado de uma política comercial proactiva e da disponibilização de ofertas competitivas de fornecimento de energia.

No sector das Renováveis, a EDP Renováveis atingiu, pela primeira vez, uma capacidade instalada acima dos 10.000 MW (10.408 MW) e um crescimento de 770 MW face a 2015. O EBITDA cresceu 3% em termos homólogos para 1.171 milhões de euros, representando hoje 32% do total do Grupo. Este resultado é suportado pela expansão de capacidade instalada e parcialmente compensado por um menor load factor (4% abaixo da média histórica) e por um menor preço médio de venda de energia. Em 2016, a EDP Renováveis demonstrou, uma vez mais, a capacidade de execução da sua política de asset rotation, com a venda de uma participação minoritária em parques eólicos na Europa por um valor total de 550 milhões de euros, assegurando assim 50% do objectivo de encaixe em vendas minoritárias previsto para o período 2016-2020. Foi também concluída, em 2016, a venda dos activos eólicos em Itália e na Polónia a China Three Georges (CTG), conforme anunciado em 2015, permitindo um encaixe de 363 milhões de euros. De referir também que, hoje, do total da capacidade target a ser instalada até 2020 (+3.500 MW), a EDP Renováveis já garantiu 65% da capacidade do objectivo previsto, alcançando assim visibilidade quanto ao seu crescimento futuro.

No Brasil, o ano de 2016 ficou especialmente marcado por um bem-sucedido aumento de capital da EDP Energias do Brasil no valor de 1,5 mil milhões de reais, cuja subscrição foi integral (a EDP subscreveu a sua participação de 51%), e pela entrada da empresa, pela primeira vez, no negócio do transporte de energia ao vencer um leilão para a construção de uma linha de 113 km entre São Mateus e Linhares no Espírito Santo. Em termos de resultados, excluindo efeitos não recorrentes e o câmbio, o EBITDA ajustado em moeda local desce 3% em termos homólogos, para 2.056 milhões de reais. Ao nível da geração e da comercialização o EBITDA aumenta 110 milhões de reais, reflectindo a consolidação integral de Pecém e uma boa performance das centrais hidroeléctricas (devido a uma redução do impacto do défice hídrico). Este efeito positivo foi essencialmente compensado pela queda do resultado da distribuição (-18%) que, apesar de uma revisão regulatória positiva na Escelsa e da redução das perdas comerciais, foi impactado pela diminuição da procura e da sobrecontratação na Bandeirante, ainda resultado do abrandamento da actividade económica do país.

Ao nível dos custos operacionais, a EDP continua comprometida com a optimização da sua base operacional tendo atingido em 2016 um rácio de OPEX sobre margem bruta de 27%, o melhor de sempre da empresa e uma referência na indústria. Após a conclusão, em 2015, do programa OPEX III que gerou 170 milhões de euros de poupanças anuais, a EDP lançou um novo programa de eficiência (OPEX IV) com o objectivo de atingir um valor acumulado de poupanças de 700 milhões de euros no período 2016-2020. Em 2016, o valor de redução de custos foi de 105 milhões de euros, 22% acima da meta estabelecida.

Relativamente à política de financiamento, a EDP soube aproveitar, ao longo do ano, os bons momentos do mercado para reduzir os seus custos financeiros. É de destacar a realização de duas emissões de obrigações a 7 anos e a 7,5 anos (600 milhões de euros em Março e 1.000 milhões de euros em Agosto) com yields de 2,4% e 1,2% respectivamente (abaixo do custo médio de dívida da EDP) e a recompra de obrigações com vidas residuais curtas e cupões mais elevados do que os praticados actualmente no mercado (250 milhões de euros em Novembro e 500 milhões de dólares americanos em Dezembro). O conjunto destas operações contribuiu para a diminuição em 14% dos custos com juros da dívida do Grupo, reduzindo assim o custo médio da dívida da EDP de 4,7% em 2015 para 4,4% em 2016.

A dívida líquida do Grupo no valor de 15,9 mil milhões de euros representa uma redução de 1,5 mil milhões de euros face a 2015, devido em grande parte à geração de cash flow da empresa e à venda, ao longo do ano, de 2,25 mil milhões de euros de défice tarifário, um valor claramente acima do previsto para 2016 e que contribuiu para a redução, em cerca de 60%, dos recebíveis regulatórios da EDP.

Na inovação, a EDP anunciou o objectivo de investir 200 milhões de euros em projectos inovadores no período de 2016-2020, demonstrando assim o claro compromisso da empresa nesta área. Em 2016, a EDP Inovação concluiu com sucesso a primeira fase do projeto WindFloat, a mais avançada plataforma de turbinas eólicas offshore flutuantes, cujo objectivo primordial foi a demonstração da viabilidade desta tecnologia de forma a podermos avançar para uma fase pré-comercial. Durante o ano de 2016, foram substancialmente reforçados os mecanismos de apoio da EDP Inovação com a criação de um novo fundo de capital de risco corporativo (EDP Ventures SCR), o alargamento do Open Innovation e do programa de incubação EDP Starter para Espanha e Brasil, a forte presença na Websummit e o lançamento de um programa de aceleração de startups de cariz global em parceria com 7 outras utilities (o Free Electrons).

O ano de 2016 fica ainda marcado pela entrada em produção, em Portugal, do escalão a montante de Baixo Sabor (151 MW) e de Salamonde II (223 MW), encontrando-se ainda em construção os projectos de Venda Nova III e de Foz Tua, cujo arranque está previsto para o primeiro semestre de 2017. No Brasil, concluiu-se o investimento em Cachoeira-Caldeirão, detido em 50% pela CTG, oito meses antes do prazo previsto e prossegue-se com o investimento na hidroeléctrica de São Manoel, em parceria com a Furnas e a CTG. É de notar também que a EDP Renováveis chegou recentemente a acordo com a CTG para a venda de uma participação minoritária (49%) em activos eólicos em Portugal (pertencentes ao portfólio ENEOP) por 242 milhões de euros. Com a conclusão desta operação a CTG terá investido cerca de 1,7 mil milhões de euros dos 2 mil milhões euros de investimento acordado no âmbito da parceria estratégica entre as duas empresas.

Um compromisso sustentável e inovador.

A EDP continua a desempenhar um papel responsável na sociedade e mantém-se empenhada em demonstrar o progresso do seu desempenho no quadro dos 10 princípios da Global Compact, uma iniciativa das Nações Unidas na área dos Direitos Humanos, do Trabalho, do Ambiente e da Anticorrupção. A EDP continuará a assumir uma postura proactiva em áreas fundamentais da sociedade, como a preocupação ambiental, a inovação tecnológica, a preocupação social com forte investimento na educação, na cultura e na arte. A EDP integra, pelo 9° ano consecutivo, o índice Mundial de Sustentabilidade Dow Jones, situando-se no top 5 das melhores utilities do mundo, e estando colocada como a segunda melhor utility integrada.

Quanto à dimensão social, em 2016 a EDP investiu 27 milhões de euros nas áreas da saúde, educação, ambiente, inclusão social, arte e cultura. O nosso compromisso com a sociedade é claro e temos como objectivo investir 100 milhões de euros em áreas sociais até 2020.

Em Portugal, através da sua Fundação, a EDP continua a ter o maior programa de investimento social privado, o EDP Solidária, o qual já teve impacto em 1,8 milhões de pessoas nas áreas da saúde, da inclusão social e das bolsas universitárias.

A EDP continua também a ser o maior mecenas empresarial da cultura em Portugal. Destaca-se a inauguração, em 0utubro de 2016, do MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia que recebeu, até ao final de 2016, 150.000 visitantes. O novo museu, de características únicas, situado na Zona Ribeirinha de Lisboa, encontra-se integrado num espaço público com mais de 38.000 m2, ao lado da Central Tejo, uma antiga central eléctrica do início do século XX. O MAAT vem assim reforçar a visão da EDP quanto à importância do investimento na cultura, na arte e na tecnologia de forma a contribuir para a construção de uma sociedade mais cosmopolita, inclusiva e criativa.

Na área da formação, em 2016 a Universidade Corporativa do Grupo proporcionou cerca de 400 mil horas de formação, que envolveram mais de 60 mil colaboradores e prestador de serviços, reforçando assim uma cultura de permanente aprendizagem, aposta na qualificação e valorização profissional e pessoal de cada um.

O Voluntariado continua a ser um pilar fundamental da relação do Grupo com as comunidades e, simultaneamente, de desenvolvimento e motivação dos colaboradores EDP. Em 2016, cerca de 2.150 colaboradores da EDP realizaram 16.000 horas de voluntariado, beneficiando 345 instituições.

A EDP conta hoje com 12.000 colaboradores de 40 nacionalidades, presentes em 14 países. Somos uma referência a nível global com reconhecimento em diversas áreas tais como engenharia, finanças, ética, gestão e formação do capital humano, ambiente, comunicação, inovação, sustentabilidade social e promoção da arte e da cultura. É graças a esta equipa que a nossa empresa é hoje um exemplo em tudo aquilo que faz.

Um caminho ambicioso e claro para o futuro

O Conselho de Administração Executivo irá propor à Assembleia Geral de 2017 um aumento de 3% do dividendo por acção (para 0,19 euros), o que representa um payout ratio de 72%, um valor dentro do intervalo anunciado ao mercado em Maio de 2016. Este valor de dividendo por acção é o novo montante mínimo a considerar para os anos posteriores.

Face aos resultados positivos que superaram todas as expectativas, estamos confiantes no futuro e no alcance das metas propostas no nosso Plano de Negócios.

Aproveitamos também a oportunidade para agradecer a todos aqueles que se relacionaram com a EDP durante o ano de 2016, nomeadamente aos nossos accionistas, colaboradores, clientes, fornecedores, entidades governamentais, reguladores e órgãos sociais, com destaque para o Conselho Geral e de Supervisão, pelo desafio, acompanhamento e confiança prestados a toda a equipa.

Em 2017, espera-nos um ano desafiante num contexto de mercado que se prevê difícil e pleno de momentos determinantes, no plano político Europeu e Norte-americano, e de incertezas em torno do nosso sector.

Hoje somos uma referência mundial graças ao empenho de todos nós. Conto com determinação de todos para mais um ano de sucesso.

Obrigado

António Mexia
Presidente do Conselho de Administração Executivo

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