RELATÓRIO E CONTAS 2016

Gestores

04 João Manso Neto

QUE BALANÇO FAZ DE 2016? QUAIS FORAM OS MAIORES DESAFIOS?

Se tiver de eleger um qualificativo para o ano de 2016, tenderia a defini-lo como complexo, coexistindo ao longo do ano sinais de natureza contraditória. Após um primeiro semestre muito favorável em termos institucionais e de mercado, emergiram no segundo fatores de incerteza política e de apriorismo ideológico que tornaram menos evidente a afirmação das linhas de força estruturais, tendo a extrema volatilidade dos mercados ao nível intra-anual introduzido igualmente fatores de incerteza. Neste contexto, o grande desafio passou por se ser capaz de manter a implementação de uma política caracterizada pela sua consistência estrutural e por um grande rigor na execução - quer dos planos de investimento, quer da gestão da energia - capaz de imunizar a EDP contra esses choques mais conjunturais.

1) Sendo este o quadro de referência, diria, mais especificamente, que:

a) Ao nível da EDPR iniciámos a implementação do novo Business Plan 1620, com resultados estruturalmente positivos em termos de crescimento, controlo de custos, solidez financeira e geração de caixa, não obstante os resultados correntes terem sido penalizados por níveis de recurso eólico abaixo da média e por one-offs e políticas de otimização do custo de capital que gerarão resultados positivos já a partir de 2017. Relativamente ao crescimento, destacaria, em particular, a adição de quase mais 800MW da potência instalada, com especial expressão nos EUA, sendo também muito relevante a primeira instalação no México (200MW) e o excelente resultado obtido no leilão em Itália no qual nos foram adjudicados mais de 120MW. No tocante ao reforço da solidez financeira - condição necessária para o crescimento - destaca-se a venda de 49% de parques europeus que permitiram o encaixe de mais de 500 milhões de euros em condições financeiras interessantes.

b) Ao nível da UNGE assinalaria uma gestão particularmente rigorosa dos riscos de mercado que, tendo beneficiado das condições favoráveis nos primeiros 9 meses, conseguiu mitigar fortemente os impactos da conjuntura altista de preços verificado no quarto trimestre.

c) A DRC lidou com sucesso com inúmeros dossiers legislativos e regulamentares ao longo de 2016, com resultados claramente positivos mercê do trabalho e da credibilidade das propostas apresentadas. A extensão da atividade da DRC à intervenção em matérias comunitárias continuou a reforçar-se, quer via participação na Eurelectric, quer mediante a abordagem direta a stakeholders europeus.

d) Finalmente, a DPE - órgão cujas análises são já uma referência no sector energético português - deu, sem prejuízo da continuação do aprofundamento do seu trabalho core, passos importantes no sentido de alargar o seu foco para lá do âmbito ibérico, modelizando, pela primeira vez, os mercados europeus.

QUAIS SÃO AS PRIORIDADES PARA 2017?

Relativamente às grandes prioridades para 2017, assinalaria como particularmente relevantes:

a) Em termos de EDPR, a continuação da aplicação do Business Plan e do Orçamento, designadamente em termos de:

  » Colocar em valor toda a carteira e, em particular, os investimentos recentemente realizados e os em curso.

  » Concretizar as opções de crescimento no vento onshore que temos vindo a desenvolver e a negociar.

  » Apresentar os primeiros resultados concretos para a estratégia solar.

  » Conseguir contrato de longo prazo para o nosso projecto off-shore no U.K..

  » Manutenção de excelência operacional e controlo dos custos.

b) A UNGE terá como objetivo essencial otimizar a gestão da carteira merchant da EDP num contexto mais desfavorável, sendo igualmente importante a renegociação e reconfiguração do portfólio de contratos de Gás.

c) O ano será particularmente exigente para a DRC com inúmeros dossiers a tratar, destacando -se entre estes o novo período regulatório, a negociação da revisibilidade final dos CMEC’s e a construção e divulgação do posicionamento da EDP perante o Winter Package. A efetivação da área de compliance na vertente concorrência será igualmente prioritária.

d) Para além da continuação dos trabalhos de análise, caberá à DPE, a gestão de responsabilidades adicionais na divulgação externa do posicionamento da EDP, estando já definido o roadmap dos conteúdos a disponibilizar.

Será, em suma, um ano particularmente exigente, estando certo de que, com o empenho de todos, conseguiremos atingir os nossos objetivos!

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